terça-feira, 1 de abril de 2014

Ordem Secular dos Carmelitas Descalços


Santa Teresa de Jesus
A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (O.C.D.S.) “é uma associação de fiéis que se comprometem a procurar no mundo a perfeição evangélica, inspirando e nutrindo a sua vida cristã com a espiritualidade e a orientação do Carmelo Teresiano” (artigo 1 da Norma de Vida). Ou seja, o Carmelo Secular é constituído por leigos que procuram viver fielmente a sua vocação de batizados, pondo em prática o Evangelho com a ajuda da espiritualidade carmelitana.
Os seus membros constituem-se em pequenas fraternidades e “pertencem inteiramente à família carmelitana e são filhos da mesma Ordem, na comunhão fraterna dos mesmos bens espirituais, na participação da mesma vocação à santidade e da mesma missão na Igreja com a diferença essencial do estado de vida”. (Artigo 1 da Norma de Vida).
Os Leigos carmelitas, celibatários ou casados, formam uma mesma família com as Monjas de clausura e os Frades. A missão é comum a todos os carmelitas: anunciar ao Homem atual que é habitado por Deus e que nele reside a alegria e a verdadeira felicidade.
Inspirados pela vida e ensinamentos de Santa Teresa de Jesus, Monjas, Frades e Leigos, buscam o rosto de Deus para estar ao serviço da Igreja e do mundo. 
 Qual a vocação do Carmelita Secular? 
A vocação dos Leigos Carmelitas é uma vocação contemplativa, laical e apostólica. Partindo do encontro pessoal com Deus pela oração, o Carmelita Secular, sem perder ou desvalorizar a sua condição laical, vai exercer o seu apostolado no ambiente familiar, profissional e eclesial em que está inserido. 
 Características do Carmelo Secular: 
1. Oração
Cada membro do Carmelo Secular deve privilegiar um tempo diário para a oração para deste modo crescer na intimidade com Deus, a fim de levá-lo aos irmãos.
A oração é o fundamento da vida do Carmelo. A fidelidade à oração, corresponde à fidelidade ao principal preceito da Regra carmelitana: “meditar dia e noite na Lei do Senhor” (conforme o nº 9 da Regra Primitiva da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo).
Na oração e no trato amistoso com Deus o Carmelita encontra a razão de ser da sua vocação e do seu apostolado. 
  2. Promessas
Através das Promessas os membros exprimem a sua firme decisão de procurar cada dia a perfeição evangélica. Este gesto estabelece um vínculo espiritual e jurídico com a Ordem dos Carmelitas Descalços.
Em comunhão com Maria e com toda a Ordem, os membros do Carmelo Secular que o desejarem, exprimem o seu desejo de seguir a Cristo mais de perto, segundo os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência conforme o seu estado de vida (celibatários ou casados). 
 3. Apostolado

A primeira forma de apostolado do Leigo Carmelita é a oração. É a partir da sua relação de amizade com Deus que se desenvolverá todo o seu apostolado. Assim, deve procurar ser “fermento” e “sal da terra” no mundo e ambiente em que vive; partilhar na vida pastoral da Igreja local; ajudar as pessoas a desenvolverem a sua vida espiritual e colaborar nas obras e iniciativas da Ordem.

quarta-feira, 19 de março de 2014

São José




Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo, no dia 19 de março, e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens de seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de Seu Filho divino e humano. E Jesus lhe era submisso, como nos mostra São Lucas.

Sabemos que Deus Todo-poderoso, para quem "nada é impossível" (Lc 1,37) e que tudo governa com sabedoria infinita, nada pode escolher de menos belo e perfeito, que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que Ele fosse concebido por uma virgem, concebida, por sua vez, sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse, na terra, a própria "sombra do Pai". "O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração" (1 Sm 13,14).

São José foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes, o Grande e ensinou-lhe o caminho do trabalho. Jesus não se envergonhou de ser chamado “Filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré, ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.

Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. A José coube a honra e a glória de dar o nome a Jesus na sua circuncisão. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

A vida exemplar de São José é exemplo para todos nós. Num tempo de crise de autoridade paterna, onde os pais já não conseguem “conquistar seus filhos” e fazerem-se obedecer como devem, o exemplo do Menino Jesus submisso a seu pai torna-se urgente. Isto mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o pai? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil, como disse-nos, aqui mesmo, em 1997, o Papa João Paulo II? São José é o modelo de pai presente e atencioso, de esposo amoroso e fiel.

São José, tal como a Virgem Maria, com o seu 'sim' a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus contou com ele e não foi decepcionado. Que possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano de Deus. E o mais importante é dizer 'sim' a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).

José é como alguém disse: “o servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele cresça e eu diminua (Jo 3,30).

Felipe Aquino, É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos"